" Eu sinto tanto a sua falta que chega a doer. Mas não é aquela dorzinha boba, de arranhão, que a gente chora pra chamar atenção quando se é criança; também não é aquela dor imensa, mas que dói naquela hora e passa, que nem a depilação. Parece a dor da queda. A queda de bunda no chão, que fica doendo um montão de tempo. Que dói e continua a doer; e mesmo quando parece que ela aconteceu há décadas, ela continua lá. Como uma sequela. E quando a gente começa a esquecer da queda, da dor, vem algo bestinha; alguma coisa que toca no machucado, alguma coisa que te lembra que ele está e que vai continuar alí. Algo que é interno, que nenhum remédio vai curar; que até o vento frio, uma música, a chuva, uma palavra… Faz com que ele volte a doer com toda a intensidade. Parece que você se curou, que ele nem existe mais. É aí que você se pega chorando, mergulhado nas lembranças. Mergulhado em como sua vida era antes daquela queda. Poxa, maldita queda! Tudo estava tão bem, e foi tão inesperado… Nunca vou te ter de volta. Ou como no caso da comparação, a sequela da minha queda nunca vai cicatrizar. "